A tendência do Skinminimalismo

Para quem acreditava que uma rotina de beleza precisava durar horas com inúmeras etapas para ser eficiente, precisa se atualizar. A frase “menos é mais” está fazendo cada vez mais sentido quando se trata de moda e agora chega também para os cosméticos.

A busca pelo simples, prático e sustentável são os principais pilares no desenvolvimento de cosméticos. O conceito de skincare refere-se ao cuidado diário com a pele, em casa, tratando com recursos cosméticos necessidades individuais de acordo com o biotipo de cada pele.

skinimalism
Fonte: GettyImages

A importância do tratamento e regularidade com os cuidados em casa diante de tantas sazonalidades que o ser humano passa se deve ao fato de que a pele se torna então um órgão que externa todas as intempéries que acontecem. Basicamente, esse cuidado transpassa por três etapas: limpeza, reposição de nutrientes (de acordo com a necessidade) e proteção utilizando um protetor solar de acordo com o biótipo cutâneo.

O autocuidado tornou-se midiático durante a pandemia, havendo o aumento da procura por cosméticos. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) entre janeiro e dezembro de 2020 a indústria cresceu cerca de 5,8%, comparado a 2019.

A disseminação da informação pelos meios digitais como aplicativos de vídeos rápidos e divertidos demonstrando etapas de um skincare fez com que o consumo e a procura aumentassem exponencialmente, como nos dados apresentados pela ABIHPEC.

Na Ásia, onde o skincare é uma rotina presente entre as chinesas, sul-coreanas e japonesas, nasceu um conceito chamado skincare minimalista. Conceito este baseado no “menos é mais”, no qual não são necessários vários produtos para manter a saúde da pele, três a quatro produtos atendem de forma completa e ampla esse cuidado. Ao passo que as ocidentais vendem rotinas recheadas de vários produtos diferentes a serem aplicados em vários momentos do dia.

A marca estadunidense Kylie Cosmetics, da herdeira Kylie Jenner, oferece três linhas de produtos para serem utilizados em três momentos diferentes no dia. Em contrapartida, a rotina coreana, conhecida como K-Beauty, possui três passos, no qual o 4º passo perpassa pela utilização de um protetor solar com base, unindo o primeiro passo da maquiagem com o último do skincare asiático.

Esse estilo minimalista chegou ao Brasil em 2018, quando abriram as primeiras lojas de produtos cosméticos asiáticos, inicialmente na cidade de São Paulo. Influencers iniciaram a disseminação dessa rotina, porém a população ainda era influenciada pelo consumismo ocidental. Só em 2020 que o conceito minimalista ganhou magnitude e vem sendo adotado pelo brasileiro.

A rotina de skincare é de extrema importância para a manutenção da saúde da pele, isso é indiscutível entre os profissionais da saúde que tem como área de atuação os cuidados com esse órgão. Porém este conceito de “menos é mais” é uma informação postulada na literatura e, consequentemente, dentro dos consultórios clínicos. Sabe-se que a pele é um órgão caracterizado fisiologicamente pela permeabilidade seletiva. O corpo humano busca o equilíbrio, também chamado de homeostasia, e a partir do momento em que todos os substratos energéticos necessários foram absorvidos para o controle homeostático, o corpo não absorve mais nada, e o excedente entra em processo de eliminação. Portanto, torna-se impraticável a utilização de vários produtos diferentes em uma pele na qual não há necessidade biológica para tantos nutrientes.

Assim como a utilização de alimentos é uma contraindicação absoluta utilizada como skincare, o excesso de produtos também é. Várias são as intercorrências que podem acometer a pessoa que exagera na quantidade de produtos em sua rotina de cuidado.

A geração Z criou o termo “cringe” para tudo que está fora de moda, e o excesso de consumo é algo extremamente “cringe”. O consumo sustentável é um conceito que deve ser adotado, não só pela necessidade atual do planeta em controlar e diminuir os excedentes, mas também porque nesse caso a utilização exagerada de produtos na pele não se faz benéfica.

Texto escrito por

Patricia Carvalhais, Gerente de Produtos em Saúde, Moda, Beleza, Artes e Design no Senac em Minas – https://www.linkedin.com/in/patr%C3%ADcia-barros-carvalhais-744a9a75/ e Izadora Santiago Silvino Figueredo: Graduada em Estética e Cosmética. Pós-graduada em Fisiologia Humana e do Exercício e em Docência. Coordenadora do Projeto Vida nas Mãos. Docente nos cursos técnicos e superior de Estética

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